Terça, 25 de Junho de 2024
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Pinóquio: uma lição de vida e morte

Filme foi indicado ao prêmio de Melhor Animação do Oscar 2023

05/02/2023 às 11h51 Atualizada em 11/02/2023 às 17h31
Por: Marcela Guimarães
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Pinóquio, de Guillermo Del Toro, está disponível na Netflix. Imagens: Reprodução / Netflix
Pinóquio, de Guillermo Del Toro, está disponível na Netflix. Imagens: Reprodução / Netflix

Começar a assistir Pinóquio, de Guillermo Del Toro, é um misto de memória afetiva, encantamento e surpresa. Isso porque, ele constrói a antiga história em um cenário diferente do que estamos acostumados. De comum: Gepetto, a cidadezinha e o clima. De diferente: o ar sombrio, a animação em stop-motion e o enredo. Nesta história, diferente do clássico da Disney de 1940. Gepetto teve um filho de verdade: Carlo. 

E ele era a antítese de Pinóquio: o menino perfeito, doce e obediente. Muito diferente de Pinóquio, que coloca qualquer menino endiabrado no chinelo. Sua aparência também ganha em tons artísticos e muito mais crus. Na obra de Del Toro, o Pinóquio está mais parece uma obra de arte do que um bonequinho fofinho para teatro infantil. 

Inclusive, boa parte do filme foi feita realmente em stop-motion, de maneira tradicional, com bonecos de verdade. É uma maneira muito minuciosa de se fazer uma animação. Para ter ideia, para que para mover um personagem por apenas um segundo, requer 24 quadros. Com isso, o filme levou dois anos e meio para ser gravado. Para se ter uma ideia, um longa-metragem cujo tempo de gravação é considerado longo, leva até 94 dias para concluir as gravações. 

Voltando à história, é um filme para a família, mas eleva em profundidade. A história se passa em uma Itália de 1950, tomada pelo facismo (essa parte fica clara para quem já estudou História, com H maiúsculo). Além do amor de pai e filho e das desonestidades de tantas pessoas, o enfoque é vida e morte. Por ansiar para ter seu filho de volta, Gepetto ficou anos deprimido e se tornou alcoólatra. Em uma noite de bebedeira, ele entalha Pinóquio de uma árvore, que ele havia plantado com Carlo. Ao ver a situação, a Fada Azul intervém e dá o sopro de vida ao boneco.

Ela, aliás, é a única personagem feminina com destaque na obra. O mundo deste Pinóquio é essencialmente masculino, rígido como madeira, perigoso como a guerra e um terreno seco para semear o amor. Mas, Pinóquio consegue. E durante a sua jornada, torna-se cotidiano a morte. Ele morre, vai para um mundo meio doido, mas como é de madeira, logo volta à vida.

Então, de certa forma, ele descobre que o mesmo não acontece com a gente, de carne e osso. Assim, como com Gepetto e seus amigos. Então, ele entende o valor da vida. E é então que somos surpreendidos com a maturidade do boneco de madeira. 

Outras informações

Pinóquio, de Guillermo del Toro, conquistou o Globo de Ouro, histórico para a Netflix. Isso porque, foi a primeira vez em que uma animação de serviço de streaming vence na categoria. Agora, está entre os indicados ao Oscar para a categoria Melhor Animação.

O elenco principal é estrelado por Gregory Mann como Pinóquio, Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi) como Grilo Falante, David Bradley (The Strain) como Gepetto, Cate Blanchett (Thor: Ragnarok), Christoph Waltz (Django Livre), Tilda Swinton (Doutor Estranho), Tim Blake Nelson (Watchmen) e Finn Wolfhard (Stranger Things).

Uma curiosidade: Carlo é o nome do criador original do personagem Pinóquio em “Le avventure di Pinocchio. Storia di un burattino”. O romance foi escrito pelo italiano Carlo Collodi e começou a ser publicado em 1881.

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